Durmo. Regresso ou espero? Não sei. Um outro flui Entre o que sou e o que quero Entre o que sou e o que fui. [Pessoa]
Do vem e vai de quem veio
restam areia lisa e maré.
Do ser ou não de quem fui
restam pés cansados do trajeto
- do qual nem lembro.
Eis aqui o esquecido,
o vazio que engole
a memória e toma
de mim as ruas
que já não tomo
- quem me dera um porre.
Eis areia lisa e certeza
de que estes pés também
daqui serão levados,
lavados pelo tempo.
Estarei então perdido,
separado das lembranças
de quem serei,
amontoado junto
das que já perdi.
De que vale o efêmero?

07/05 at 01:58
… e como saber onde fica a linha que divide o efêmero do duradouro? Em fins, tudo são como essas pegadas na areia que o vento carrega.
Adorei o poema, bem escrito e me identifico muito.
abs;
Fabrício