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	<title>.Lunetaria.</title>
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	<description>O olho vestido de luneta</description>
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		<title>.Lunetaria.</title>
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		<title>De Gaspar e Anita</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 21:24:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrivinhando]]></category>

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		<description><![CDATA[Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada, E a alma de sonhos povoada eu tinha. Olavo Bilac - Nel mezzo del Carmin Acorda, Gaspar! Um susto e aterriso pra dentro do corpo, puxado pelas pernas. Demoro os olhos em Frank - o tempo pra cabeça voltar - e ali está ele, à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=247&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:right;"><em>Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada<br />
E triste, e triste e fatigado eu vinha.<br />
Tinhas a alma de sonhos povoada,<br />
E a alma de sonhos povoada eu tinha.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Olavo Bilac - Nel mezzo del Carmin</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:left;">A<em>corda, Gaspar!</em></p>
<p style="text-align:justify;">Um susto e aterriso pra dentro do corpo, puxado pelas pernas. Demoro os olhos em Frank - o tempo pra cabeça voltar - e ali está ele, à minha frente, com a última e única frase que lembro do seu discurso.  Que se dane, tinha a desculpa da bebida caso ele se ofendesse. Mais por hábito que por arrependimento ensaio me desculpar, o que ele antecipa com os olhos, já entupidos de etílico: deixa pra lá, seu idiota. Engulo as desculpas com o resto da vodca. A frase que me trouxe ao chão ecoa.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Acorda, Gaspar!</em></p>
<p style="text-align:justify;">Acordar, quem dera. Sinal de que teria conseguido dormir - e tá aí algo que não faço direito há dias. Fosse apenas o sentido literal que afundasse as olheiras, fácil fácil entupia as ventas de comprimidos e pronto: acordaria novo em folha, sem as olheiras de dentro. Mas quando corpo e alma não se entendem, um anseia o travesseiro e a outra não deixa assentar a cabeça. E eu aqui, patético, enganando mais uma noite num boteco de quinta.</p>
<p style="text-align:justify;">O último gole queima, bato o copo na mesa e levanto - preciso de ar. Meu camarada, já distraído com as vadias, nem repara minha saída. Abro caminho entre os ombros - droga de aglomerações &#8211; nado até a margem e finalmente chego à beira. O ar fresco da madrugada gela o peito. Procuro o tabaco, pra esquentá-lo. Ando até o banco de madeira perto do bar. Sento. Merda de noite, cadê o isqueiro?</p>
<p style="text-align:justify;">Afundo as costas no banco, deslizo a bunda na madeira fria. Achei o maldito, no bolso da calça. <em>Achei o maldito</em>, repito. Que ironia. Fui achado também. Acendo o cigarro, e lá vai o fogo ser perdido de novo no fundo do bolso. Rio de mim &#8211; que idiota - e a fumaça escapa. É o que dá, Gaspar, brincar de gato e rato com o tédio. Quando ele te encontra, só resta rir. Rir e bolar uma nova agenda noturna pra escapar novamente. Pra voltar ao fundo do bolso de um jeans velho.</p>
<p style="text-align:justify;">Tivesse bebido um pouco mais,  juraria ter me visto jogado no meio-fio à minha frente, tamanha minha miséria. Teria apoiado a cabeça neste poste que mal ilumina a rua e assim caído eu estaria. Fraco e medíocre. E entediado. Mais uma tragada. Olho de novo o poste. <em>Tá, já pode sair daí, nem bebi tanto assim.</em> Espero a imagem se desfazer da mente e dos olhos - o que não acontece. Esfrego o rosto com a mão livre. Tinha realmente alguém ali, e menos mal que não era eu.</p>
<p style="text-align:justify;">Largo de lado o cigarro e encaro a moça apoiada no poste- ou as costas dela. Não via muito, a merda da luz não ajudava em nada. A cabeça, apoiada, não se movia. Os olhos nas estrelas, parecia. Apertava os joelhos ao redor dos braços. Frágil e medíocre.</p>
<p style="text-align:justify;">Engraçados, os tapas da vida. Eu, um nada, um merda fugindo do próprio tédio. E existiria algo menor que a enquadrasse?</p>
<p style="text-align:justify;">Respiro fundo, vou ao poste.</p>
<p style="text-align:justify;">- Dia difícil? – paro com as mãos no bolso.</p>
<p style="text-align:justify;">Tomou um susto, ela. Como o que tive há pouco, lá no bar. Como se os olhos, antes nas estrelas, tropeçassem em terra firme. E eu rio, culpado por trazê-la de volta. Me olhou séria &#8211; por mais tempo que gostaria, essa troca de olhar. Virou o rosto, o nariz para a rua:</p>
<p style="text-align:justify;">- Nem imagina&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Cigarro? – me antecipo, estico o braço com o maço em mãos. Testo o limite de proximidade, sabe como são as mulheres. Apruma o corpo fraco, estica o braço fino. Procuro o isqueiro do bolso, e o safado agora me vem fácil. E aqui está ela, iluminada pelo final de seu gás. Que diabos fazia ali?</p>
<p style="text-align:justify;">- Gaspar – Sento ao seu lado, no meio-fio.</p>
<p style="text-align:justify;">- Que?</p>
<p style="text-align:justify;">- Sabia que ia perguntar, então me adianto – conversinha mais manjada – Sou Gaspar.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah&#8230; – pausou o olhar, levou o cigarro à boca. Respirou e virou para mim. – Anita.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/247/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/247/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/247/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=247&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Que seja</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 02:59:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Provo a provação por mim. A certeza tão incerta de continuar e manter-me firme. O emaranhado da dúvida no ralo do box, o acumulado do passado descendo o cano da descarga. No retrato embaçado do espelho me pinto: auto-imagem é caricatura orgulhosa da virtude, brincando de suprir as carências que tenho. Que seja então impuro, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=411&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Provo a provação por mim. A certeza tão incerta de continuar e manter-me firme. O emaranhado da dúvida no ralo do box, o acumulado do passado descendo o cano da descarga. No retrato embaçado do espelho me pinto: auto-imagem é caricatura orgulhosa da virtude, brincando de suprir as carências que tenho.</p>
<p>Que seja então impuro, imperfeito e transitório, o passo dado sem pretensão de glória. Que seja aceita a remela, não por exposição em punição do torto, mas como pertence indivisível da mera mortal que sou. Que seja o foco concentrado no propósito, e que o propósito não foque o murmúrio indecifrável do alheio.</p>
<p>E que seja autêntico, ainda que incerto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/411/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/411/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/411/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=411&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Efêmero</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 02:37:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrivinhando]]></category>

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		<description><![CDATA[Durmo. Regresso ou espero? Não sei. Um outro flui Entre o que sou e o que quero Entre o que sou e o que fui. [Pessoa]   Do vem e vai de quem veio restam areia lisa e maré. Do ser ou não de quem fui restam pés cansados do trajeto - do qual nem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=390&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://lunetaria.wordpress.com/2010/04/21/efemero/solidao/" rel="attachment wp-att-389"><img class="aligncenter size-full wp-image-389" title="solidao" src="http://lunetaria.files.wordpress.com/2010/04/solidao.jpg?w=510" alt=""   /></a></p>
<blockquote><address>Durmo. Regresso ou espero?</address>
<address>Não sei. Um outro flui</address>
<address>Entre o que sou e o que quero</address>
<address>Entre o que sou e o que fui.</address>
<address>[Pessoa]</address>
</blockquote>
<address> </address>
<p>Do vem e vai de quem veio<br />
restam areia lisa e maré.<br />
Do ser ou não de quem fui<br />
restam pés cansados do trajeto<br />
- do qual nem lembro.</p>
<p>Eis aqui o esquecido,<br />
o vazio que engole<br />
a memória e toma<br />
de mim as ruas<br />
que já não tomo<br />
- quem me dera um porre.</p>
<p>Eis areia lisa e certeza<br />
de que estes pés também<br />
daqui serão levados,<br />
lavados pelo tempo.</p>
<p>Estarei então perdido,<br />
separado das lembranças<br />
de quem serei,<br />
amontoado junto<br />
das que já perdi.</p>
<p>De que vale o efêmero?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/390/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/390/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/390/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=390&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Sobre acácias, eucaliptos e renúncia</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Mar 2010 00:41:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrivinhando]]></category>

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		<description><![CDATA[Das coisas entre as quais acredito que todo ser humano deveria ter ao menos uma vez na vida – além de uma crise nervosa, de um porre, de um terapeuta e de um all star – recomendo, não menos convicta: tenham um professor excêntrico. Pois é, eu mesma já tive vários. E engraçado como sempre parece [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=374&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-373" href="http://lunetaria.wordpress.com/2010/03/25/sobre-acacias-eucaliptos-e-renuncia/renuncia_bmp/"><img class="aligncenter size-full wp-image-373" title="renuncia_bmp" src="http://lunetaria.files.wordpress.com/2010/03/renuncia_bmp.jpg?w=510" alt=""   /></a></p>
<p>Das coisas entre as quais acredito que todo ser humano deveria ter ao menos uma vez na vida – além de uma crise nervosa, de um porre, de um terapeuta e de um all star – recomendo, não menos convicta: tenham um professor excêntrico.</p>
<p>Pois é, eu mesma já tive vários. E engraçado como sempre parece nossa primeira vez. Seja professora de geografia – só sendo doida mesmo – distribuindo sementes de árvore para dar sorte e saindo de bicicleta pela cidade a gritar e pedir voto, como boa futura vereadora. Seja professor de matemática pedindo para que repetíssemos um sonoro “minha cabeça dói” a cada final de aula, e pra não falar dos apagadores voadores &#8211; não, a dor de cabeça não era culpa do apagador. Sejam lá quais dos tantos que tive, quando me vi formada, achei que não teriam dessas raridades na coleção universitária.</p>
<p>Ledo engano.</p>
<p>Recebi um presente logo no primeiro semestre, que já nos primeiros dias me perguntou:</p>
<p>- E você, é acácia ou eucalipto?</p>
<p>Segurei o impulso de corrigi-lo – é Car&#8230;men, tá na chamada – já que dizem que de doido a gente não discorda. Contentei-me em fazer cara de paisagem e esperar sua reação.</p>
<p>Sabe qual a diferença entre uma acácia e um eucalipto? Pois imagine o eucalipto como um <em>big boss</em> que suga boa parte da água do solo ao seu redor e impede que outras árvores cresçam perto dele. É o individualista da floresta, aquele que coloca sua sobrevivência no topo da lista de prioridades. Não quero com isso desmerecê-lo, pois a independência é para poucos. Já a acácia é a mãezinha caseira que abre as portas do sobrado para a comunidade e diz que não tem problema não, sua carreira não é tão prioritária. Acácia é árvore para casar, minha gente, dessas que colocam a família em primeiro lugar.</p>
<p>Simbologias à parte – muitos diriam que fracas &#8211; acredito que todos entenderam o impasse. Mas ainda sim, e agora ainda mais convicta, não sabia o que responder.</p>
<p>- Acho que sou um pouco dos dois.</p>
<p>Exato, era isso que ele não queria que eu respondesse. Exatamente porque é isso o que todo mundo responde – sei que pensou o mesmo que eu, não precisa disfarçar.</p>
<p>Mas o que há de errado em ser os dois, oras? Posso muito bem levar minha vida eucalíptica em paralelo à acaciana. E não me venham com a história dos dois passarinhos voando que árvore não tem mão, não senhores.</p>
<p>Ser um pouco dos dois, seria possível? Um acacialipto? Uma eucalipcácia?</p>
<p>Sim, podemos sê-los, se você quiser ser feito de plástico e morrer sem nunca descobrir o que é ser algo por inteiro. Eucalipcácias existem pela covardia que temos ao ter de decidir por um caminho apenas, e renunciar ao outro por conseqüência. Por medo de assumir a responsabilidade e o peso de uma escolha, de uma postura.</p>
<p>Só podemos ser a partir de uma renúncia.</p>
<p>E você, é acácia ou eucalipto?</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Serve uma macieira?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/374/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=374&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A corrida</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 22:55:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrivinhando]]></category>

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		<description><![CDATA[Corredores, queiram aproximar-se da linha de partida. Antes da largada gostaria de dedicar-lhes algumas palavras e também desejar uma competição justa a todos: àqueles em que falte o talento da corrida, e portanto precisam dobrar o esforço, àqueles que correm por prazer, e que fazem do suor sua motivação, e àqueles que aqui apareceram com objetivo de ocupar espaço. Que todos tenham o prêmio que merecem. Se por acaso você não é chegado em transpiração, espero que se auto-classifique como integrante do terceiro grupo que citei, que esteja de passagem e que não tenha acumulado muitas expectativas de vitória para o dia de hoje. Aliás, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=351&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><a href="http://lunetaria.wordpress.com/2010/02/08/a-corrida/beleza-comece-treino-corrida-sete-passos-460x345-br/" rel="attachment wp-att-352"><img class="aligncenter size-full wp-image-352" title="beleza-comece-treino-corrida-sete-passos-460x345-br" src="http://lunetaria.files.wordpress.com/2010/02/beleza-comece-treino-corrida-sete-passos-460x345-br.jpg?w=510" alt=""   /></a></p>
<p>Corredores, queiram aproximar-se da linha de partida. Antes da largada gostaria de dedicar-lhes algumas palavras e também desejar uma competição justa a todos: àqueles em que falte o talento da corrida, e portanto precisam dobrar o esforço, àqueles que correm por prazer, e que fazem do suor sua motivação, e àqueles que aqui apareceram com objetivo de ocupar espaço. Que todos tenham o prêmio que merecem.</p>
<p style="text-align:left;">Se por acaso você não é chegado em transpiração, espero que se auto-classifique como integrante do terceiro grupo que citei, que esteja de passagem e que não tenha acumulado muitas expectativas de vitória para o dia de hoje. Aliás, acho que deveria procurar algo mais útil com o qual ocupar seu tempo, quem sabe algo que você realmente goste de fazer. E caso ainda não tenha descoberto seu real talento, vamos combinar que se você não gosta de suar sua praia não é correr. Descarte esta opção e procure outra coisa, vá por mim.</p>
<p style="text-align:left;">Caso você seja o nosso esforçado atleta, aquele que treina com afinco todo santo dia e apesar de detestar levantar cedo ainda sim o faz em nome do desejado troféu, que de quando em vez tem desejos fulminantes de largar essa vida e fugir para qualquer lugar em que possa fazer o que realmente gosta – tricotar – vá me desculpar. Você não é muito diferente do nosso companheiro que não gosta de transpiração. A diferença entre vocês, talvez não perceba, é que – pior – você sabe o que te faz feliz, mas resolveu se iludir achando que deve porque deve vencer esta corrida. Você e o nosso outro corredor não estão na área certa, com certeza. E só porque precisa rever seus planos isso não faz de você um fracassado. Diga, de que vale tanta luta por um propósito que nem é seu? Como pode deixar sua verdadeira paixão de lado desta forma? Vá tricotar e viver no mato, que a vida é muito mais que provar para si e para os outros sua capacidade de ganhar um reles troféu.</p>
<p style="text-align:left;">E, finalmente, se você corre porque correr faz parte de sua vida, se é isso que mais motiva seu despertar a cada nova manhã, parabéns meu colega. Você é o único que está sendo verdadeiro consigo mesmo. E você sim, será vencedor. Não porque vá levantar o troféu, mas porque sabe tanto quanto eu que – se danem – o que mais vale é sentir o vento cantando ao pé do ouvido.</p>
<p style="text-align:left;">Mas que estou falando, demos logo a largada! E que vença o que se dedica por amor.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/351/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/351/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/351/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=351&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Adeus, meu bem</title>
		<link>http://lunetaria.wordpress.com/2010/01/24/adeus-meu-bem/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 23:15:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrivinhando]]></category>

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		<description><![CDATA[Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente. [Martha Medeiros] Era algo no movimento daquela estação, nas pernas deslizando apressadas, neste jogo de partida e chegada que jogamos sem distinção certa de seu começo ou fim. Algo nas mãos suadas, medrosas, prestes a deixar e serem deixadas. Algo nas bocas cerradas, no silêncio de quem sabe que não há mais o que dizer e engole o não dito para o fundo do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=339&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://www.waram.org/wp-content/uploads/2007/08/trem_11.jpg" alt="" width="560" height="420" /></p>
<blockquote><address><em>Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente. </em></address>
<address>[Martha Medeiros]</address>
</blockquote>
<p style="text-align:left;">Era algo no movimento daquela estação, nas pernas deslizando apressadas, neste jogo de partida e chegada que jogamos sem distinção certa de seu começo ou fim. Algo nas mãos suadas, medrosas, prestes a deixar e serem deixadas. Algo nas bocas cerradas, no silêncio de quem sabe que não há mais o que dizer e engole o não dito para o fundo do estômago. Algo nos olhos transparecendo o que os lábios não ousavam dizer. Na estação que caminhava enquanto o tempo, por pena, permitia que os segundos se alongassem para aqueles dois pares de olhos em despedida.</p>
<p style="text-align:left;">Algo nos olhos dela, janelas em que há muito tempo ele deitara as flores de seu carinho. Aqueles olhos negros, mergulhados na ânsia de quem espera com esperança um único pedido, uma última súplica – <em>não vá&#8230;</em> – para entregar-se em um salto e deixar que a partida pegasse o trem sem ela. Algo nos olhos dele, um quê de tristeza tímida liquidificada em água salgada brotada do canto do olho, misturava-se à fraca firmeza que o levara a não questionar a decisão do destino. Que se fosse o melhor para ela, assim deveria ser.</p>
<p style="text-align:left;">E o trem cortou o vento, que quis levar consigo os cabelos de quem esperava para entrar nos vagões. Os pés deslizantes afastaram-se da linha de segurança amarela que cortava o chão, enquanto as janelas passavam cada vez mais lentas diante dos olhos. Ela apertou ainda mais os dedos por entre a alça da mala e tentava inutilmente forçar um sorriso.<em> </em></p>
<p style="text-align:left;">E com o abrir das portas ele pegou-lhe a mão, olhando aqueles dedos finos que afagaram seus cabelos em outros tempos. Levantou os olhos molhados e puxou-a com força para perto do seu corpo uma última vez. Apertados, sufocados em saudade premeditada.</p>
<p style="text-align:left;">Em um impulso aquela que ia virou-se e os passos foram pesados a cavar sua cova ao chão. As costas a se afastarem foram guardadas como última lembrança entre tantas que ainda doíam nele por não partirem com ela. Costas que passaram pela porta do vagão sem virar uma única vez, abandonando a estação e aquele por quem mais lhe doía a ida.</p>
<p style="text-align:left;">E foi ela, a partida, quem empurrou o vagão pelos trilhos lentamente. Quem fica para trás há de seguir em frente, encontrar outras janelas para deitar suas flores e amores, ou quem sabe plantá-los em seu próprio jardim. Quem parte há de desembarcar numa nova estação onde seu novo amante, o destino, a espera ansioso com suas cartas na manga.</p>
<p style="text-align:left;">Sentada agora em uma das várias poltronas frias, ela era apenas um rosto a mais entre tantos outros, coreografando movimentos a cada curva ou imperfeição dos trilhos. Todos iguais, nada de novo, nada de mais. O vento que entrava pela fresta da janela veio lamber seu rosto e deu em seus lábios amargos o beijo que ela deveria ter dado em quem ficou. O sol matinal fez do vidro da janela um espelho e as lembranças reuniram-se no fundo daqueles olhos úmidos refletidos diante dela: neles o resumo da vida até aqui. Ela olhava o horizonte à sua frente, tentando inutilmente não pensar naquele que deixou para trás.</p>
<p style="text-align:left;">Resta-me agora ocultar o rosto<br />
Pra que não vejas do desgosto<br />
Mais sinais</p>
<p>E se a lembrança agora turva,<br />
É que a partida<br />
Foi-se escondida pela curva<br />
Do trem.<br />
Adeus, meu bem</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/339/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/339/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/339/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=339&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bolitas</title>
		<link>http://lunetaria.wordpress.com/2010/01/07/bolitas/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 00:10:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrivinhando]]></category>

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		<description><![CDATA[Tuas eternas e ternas bolitas pintadas de azul- celeste, são meteoro penetrado em minha retina. (Ai, quando essas bolitas bonitas se encontram nas minhas&#8230;) No segundo fracionado em mil m&#8217;embala, sublima toda resistência, destrói minh&#8217;armadura de cima a baixo, por dentro e fora: deixa-me nua e torna-me tua. (É quando salto de leve e mergulho [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=306&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://blog.cancaonova.com/fotosquefalam/files/2008/09/olho.jpg" alt="" width="470" height="313" /></p>
<p>Tuas eternas e ternas<br />
bolitas pintadas de azul-<br />
celeste, são meteoro<br />
penetrado em minha retina.</p>
<p>(Ai, quando essas bolitas bonitas<br />
se encontram nas minhas&#8230;)</p>
<p>No segundo fracionado<br />
em mil m&#8217;embala,<br />
sublima toda resistência,<br />
destrói minh&#8217;armadura<br />
de cima a baixo,<br />
por dentro e fora:<br />
deixa-me nua<br />
e torna-me tua.</p>
<p>(É quando salto de leve<br />
e mergulho em teus olhos.)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/306/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=306&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Carmesim</title>
		<link>http://lunetaria.wordpress.com/2009/11/21/carmesim/</link>
		<comments>http://lunetaria.wordpress.com/2009/11/21/carmesim/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 01:41:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escrivinhando]]></category>

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		<description><![CDATA[O gume em dentes de aço cravado na carne macia precede o beiço aberto donde a vida liquida d&#8217;alma verte em púrpura lágrima espessa. Dor, abre a fenda da fragilidade humana e cobre com manto rubro nossos crânios desnudos. (Que em seu cárcere rangem ossos, pulsam peitos e conceitos quebradiços.) Sangue, vida que irriga o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=261&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_SZa0LVVILUY/SV5d0S63yfI/AAAAAAAAABg/xY7k3-whup0/s320/mao%2Bcom%2Bsangue.jpg" alt="" width="320" height="299" /></p>
<p>O gume em dentes de aço<br />
cravado na carne macia<br />
precede o beiço aberto<br />
donde a vida liquida d&#8217;alma<br />
verte em púrpura lágrima espessa.</p>
<p>Dor,<br />
abre a fenda da fragilidade humana<br />
e cobre com manto rubro<br />
nossos crânios desnudos.</p>
<p>(Que em seu cárcere<br />
rangem ossos, pulsam peitos<br />
e conceitos quebradiços.)</p>
<p>Sangue,<br />
vida que irriga o olho,<br />
morte da visão que cega.<br />
Faz da navalha tingida<br />
o alarme: grita<br />
que a alma provém da carne.</p>
<p>Vida,<br />
deslumbra-me com tua ciência,<br />
que de ti sou mera consequência.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lunetaria.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lunetaria.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lunetaria.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lunetaria.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lunetaria.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lunetaria.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lunetaria.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lunetaria.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lunetaria.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lunetaria.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lunetaria.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lunetaria.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lunetaria.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lunetaria.wordpress.com/261/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=261&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Carmim</media:title>
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		<media:content url="http://1.bp.blogspot.com/_SZa0LVVILUY/SV5d0S63yfI/AAAAAAAAABg/xY7k3-whup0/s320/mao%2Bcom%2Bsangue.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Joana e a Macieira</title>
		<link>http://lunetaria.wordpress.com/2009/08/01/joana-e-a-macieira/</link>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 23:31:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Os  pés amassavam a grama verde de verão, enquanto crianças eram gargalhadas correndo atrás umas das outras pelo parque central. E lá estava Joana, com suas bochechas vermelhas e cabelos úmidos, experimentando a liberdade que aprenderia a reprimir com os anos – mas isso é outra história. Como era bom sentir o vento refrescando a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=169&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-188" title="16_04_2007_0421972001176668891_may_ann_licudine" src="http://lunetaria.files.wordpress.com/2009/08/16_04_2007_0421972001176668891_may_ann_licudine.jpg?w=510" alt="16_04_2007_0421972001176668891_may_ann_licudine"   /></p>
<p style="text-align:justify;">Os  pés amassavam a grama verde de verão, enquanto crianças eram gargalhadas correndo atrás umas das outras pelo parque central. E lá estava Joana, com suas bochechas vermelhas e cabelos úmidos, experimentando a liberdade que aprenderia a reprimir com os anos – mas isso é outra história.</p>
<p style="text-align:justify;">Como era bom sentir o vento refrescando a pele quente, senti-lo gelado no suor da nuca e no couro cabeludo. Gostava de ser assim, moleca dos pés sujos, não como aqueles debaixo da sombra, fugindo do sol. E ela corria entre outros moleques na tarde de céu azul.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi se esconder de trás da árvore mais distante que seus pés alcançaram, para recuperar o fôlego sem pagar prenda por ser pega. Sentou então na grama fria de sombra, que espetou suas canelas finas, e aconchegou-se no tronco da árvore, acalmando a respiração afoita. Foi quando viu acima de sua cabeça, pendurada por um filete de galho,  uma vermelha e suculenta maçã. E como a correria abrira seu apetite, ela levantou-se para tentar agarrar aquela que brilhava distante, entre saltos e braços esticados, mas não chegava nem na metade do destino, era pequena demais.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela então ficou lá, sentada com as pernas esticadas, admirando a inatingível maçã. Pôde sentir seu doce no canto da boca e ouvir os dentes mastigando sua crocância refrescante. Ela salivava com seus olhos fechados, quando o vazio entre os dentes entristeceu o coração. De que valia sonhar se não a teria em mãos? Para que existiam então, se não podiam ser desfrutadas por outra além da imaginação?</p>
<p style="text-align:justify;">“Talvez existam só para sonharmos com elas.” E ela debruçou sua cabeça no tronco da árvore, calada, olhando os fios de sol que vinham do meio das folhas da macieira. Foi quando um suspiro trouxe consigo lembranças  do menino vampiro de tempos passados. Aquele que um dia a embalou numa dança de festa à fantasia, aquele que chegou com a canção, mas que também partiu com ela. Percebeu então que não era apenas sobre maçãs. Era sobre tudo que ainda não tinha.</p>
<p style="text-align:justify;">- Te peguei! – gritou Clarice.  Joana pulou assustada, numa volta brusca ao mundo real, enquanto via a amiga, já sumindo de sua vista, voltando para perto das outras gargalhadas. E lá foi ela então, juntar-se a elas. Não antes de dar uma última olhada para a velha macieira.</p>
<p style="text-align:justify;">Chegando em casa, Joana logo foi dizendo a mãe que precisava de madeira, muita madeira. Quando a mãe perguntou-lhe o motivo para tal, ela disse com um sorriso de orelha a orelha que precisava construir uma escada para catar umas maçãs.</p>
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		<title>Vinte Anos</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 20:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmim</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Meus pés andavam distraídos pelas ruas na tarde do dia nove. Um dia banal para aquela cidade, que mecanicamente acordava e arrastava-se pelas horas na espera do seu fim, para daí então levantar de novo já ansiando o final do próximo dia. Mas hoje é dia nove, os pés sabiam que era, e perambulavam pelo dia de brincar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lunetaria.wordpress.com&amp;blog=7402093&amp;post=115&amp;subd=lunetaria&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-117" title="teeter" src="http://lunetaria.files.wordpress.com/2009/06/teeter.jpg?w=510" alt="teeter"   /></p>
<p style="text-align:justify;">Meus pés andavam distraídos pelas ruas na tarde do dia nove. Um dia banal para aquela cidade, que mecanicamente acordava e arrastava-se pelas horas na espera do seu fim, para daí então levantar de novo já ansiando o final do próximo dia. Mas hoje é dia nove, os pés sabiam que era, e perambulavam pelo dia de brincar de esconde-esconde com o tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ah, o tempo. Ele que foi dez, enquanto queria doze. Que mais tarde foi doze, quando eu já esperava pelos quinze. E nessa brincadeira eu não escondia-me apenas do tempo, mas também de mim. Eu, que nunca estive lá realmente. Nunca tive dez, doze ou quinze. Da vida sempre fui mera observadora, coadjuvante de mim. Agora lá estava eu, espantada com o tamanho dos meus pés perambulantes, perguntando onde foi que estive que não me vi crescer.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi quando a vi de longe, atravessando a avenida com elegantes passos de salto alto. O vento agarrava-se nas pontas do seu casaco e dos seus longos cabelos escuros, enquanto os três dançavam ritmados pelo andar daquela que se dirigia para o meu lado da calçada. Linda. O brilho dos seus olhos, se via de longe, refletia segurança e mistério com um sabe lá o quê de gente vivida. Era mulher, não simples projeto como eu.</p>
<p style="text-align:justify;">E seus passos alinharam-se aos meus. Seu olhar tornou-se flecha riscando o ar, acertando o fundo dos meus olhos e arrepiando a espinha. Os passos tendiam ao encontro, mas como nos sonhos em que corremos sem sair do lugar eles não se aproximavam. Ela era o oásis e eu o viajante do deserto, que mesmo apressando o passo não conseguiria diminuir a distância entre os dois.</p>
<p style="text-align:justify;">Então ela parou, com o salto alinhado e as mãos nos bolsos, e pela primeira vez seus confiantes olhos tocaram o chão, séria. Naquele momento meus pés aquietaram-se também, enquanto ao nosso redor uma estranha penumbra começava a envolver o ambiente.</p>
<p style="text-align:justify;">E devagar ela levantou a cabeça, com seus olhos fixos nos meus, agora esboçando um sorriso malandro no canto dos lábios. De repente a mulher atravessou o ar como a flecha que antes eram apenas seus olhos. Rápida como o vento, ela veio em minha direção, enquanto sua fisionomia perdia-se entre cores por conta da velocidade. Meus dentes trincaram, fiquei estática. Fechei os olhos pouco antes do encontro e a senti como lâmina perfurando o peito, vazando pela coluna. O ar tinha me abandonado. Um milésimo que durou a eternidade. Abri os olhos e um gemido de dor escapou-me pela boca. Bebi então o ar como quem acabara de ser salvo de um afogamento, com as mãos segurando o peito.</p>
<p style="text-align:justify;">Aos poucos a velha tarde do dia nove tomava novamente o seu lugar na penumbra e voltei ver a calçada silenciosa e vazia, não fosse um pequeno embrulho parado à minha frente. Olhei por entre as mãos o peito, o alvo, enquanto os batimentos equilibravam-se. Nenhum sinal do choque. Lá estava eu sozinha na calçada de uma rua deserta, frente a uma pequena caixa ao chão. Tomei-a nas mãos, enquanto recompunha as forças.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ei, você.</p>
<p style="text-align:justify;">Pulei assustada, e vi atrás de mim uma menina. Reconheci seus olhos, aqueles das antigas fotos de família. Atormentada pelo incidente anterior, duvidei dos meus olhos enquanto eles mostravam a mim, dez anos mais jovem. E ela, eu, disse entre um sorriso juvenil:</p>
<p style="text-align:justify;">- Dou-te teus vinte anos embrulhados em papel do presente, não brinque mais comigo &#8211; e o sorriso sapeca aumentara-lhe as covinhas &#8211; Procure o centro da gangorra ao invés de suas beiradas e quem sabe poderá ver-se de frente algum dia.</p>
<p style="text-align:justify;">- Mas quem é você? &#8211; Perguntei.</p>
<p style="text-align:justify;">E o pequeno sorriso foi-se indo a medida que falava:</p>
<p style="text-align:justify;">- Sou aquele que percorre o teu corpo e as folhas do Outono, sou as rugas de um pé recém-nascido e dos olhos de um velho. Estou nos ossos, nos rostos, nas unhas. Passo diante de ti e penduro-me nas pontas dos teus cabelos. Estou no teu pé, no pé da mesa e no pé de limão do jardim. Nas palavras que transcorrem até o ponto final. O ponto que foi, o que está e o que há de vir. Sou quem dá e quem tira. Sou a caveira, a foice e a primavera - faz uma pequena pausa - É estranho não é? Enquanto tu olhas com espanto o retrato antigo frente a um espelho sem me entender. Mas siga meu conselho e receba o presente. O centro da gangorra. Ninguém sabe o que virá.</p>
<p style="text-align:justify;">Dizendo isso, a menina e seu último sorriso deram-me as costas, indo embora entre saltos, dobrando a esquina. E lá estava eu sozinha novamente, sem conseguir pensar. Foi quando me lembrei da pequena caixa que segurava nas mãos. Quando abri percebi que nada havia no seu interior, mas pouco importava, tinha entendido o recado. O presente, meu presente de vinte anos.</p>
<p style="text-align:justify;">E assim continuei minha caminhada pela cidade que jurava que hoje era um dia banal. Tolos, todos.</p>
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